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“Pai, já pagaste as propinas?”

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Nos últimos dias tem sido longa e controversa a discussão sobre a abolição das propinas no ensino superior.

Ora, todos sabemos que as propinas são, desde 1997, uma das mais importantes fontes de financiamento do ensino superior. Sendo que a este respeito importa ainda recordar que nesse longínquo ano de 1997 – marcado pela morte da Princesa Diana e o lançamento de um site de filmes e séries chamado Netflix- era Presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, tendo sido ele a negociar com o PS a introdução de propinas no ensino superior.

Hoje sabemos que o PS, o Bloco de Esquerda, o Governo e Marcelo (Presidente da República) – ou se preferirem a Esquerda – defende a abolição de propinas no Ensino Superior.

Vejamos:

Que o ensino obrigatório em Portugal seja universal e gratuito (atendendo à função redistributiva dos impostos, pois gratuito nunca o é ) estou de acordo.

Agora, tornar “gratuito” o acesso a um ensino que não é obrigatório – como é o caso do ensino superior – é perverter as funções do Estado, contrariar o princípio utilizador-pagador – que mais justiça traz para uma classe média de si já empobrecida – e ludibriar o povo com “sound bytes” apelativos – pasmem-se! – em ano de eleições.

Mais!

Num país que apresenta a segunda taxa de natalidade mais baixa da Europa e uma das mais baixas do mundo o acesso ao pré-escolar é facultativo e pago na totalidade pelos pais (jovens em início de carreira, muitas vezes mal remunerados e com dificuldades em emancipar-se), enquanto se quer tornar o ensino universitário gratuito.

Como diz uma amiga esta é “a triste história de um país onde ter um filho na creche é mais caro que ter um filho na faculdade!”

Continuamos a olhar para a política e para a governança de modo conjuntural. Atuamos em ciclos e pelos ciclos. Ninguém pensa no futuro mas uma coisa é certa: ele há-de chegar.

Ser sério é falar de um novo modelo de financiamento, do aumento de verbas para ação social escolar e de mais habitação para os estudantes universitários.

Perdoem-me a pressa. Sei que muito mais havia para dizer mas vou ter um exame e preciso mesmo de ir estudar!
(Ainda ontem pedi ao meu pai para pagar as propinas e isso, meus amigos, só me responsabiliza).

Bruno Bessa
Estudante Universitário
Presidente da JSD Maia

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