Há uma grande variedade de ideias políticas, com princípios mesmo antagónicos, mas não será por isso que as ideias dos vários quadrantes políticos não serão discutíveis e inflamáveis pelo fator de querermos caminhar para um bem-comum. Certo, que a própria noção do bem-comum, é diferente entre os vários pensamentos políticos e filosóficos, mas aí é que está a grande conquista da democracia: o confronto de ideias e o pugnar por sociedades mais humanas. Em democracia ainda não descobri o “remédio” de como devemos tratar partidos e pessoas que não são democratas, seria dar-lhes uma “receita” antidemocrata? Tantas vezes que sinto necessidade de me explicar como seria isso de em democracia, tratar os não-democratas, que, penso, ser uma violência da democracia aplicá-la a quem não a quer. Por isso, tenham aparecido ao longo da história antidemocratas com o apoio de massas populares, que não querem a democracia, ou estão enganados pelos antidemocratas.

Cozinca

Estamos num tempo em que a democracia representativa funciona – deixando para trás a participativa -, através de um voto, e é nessa que funciona a cidade. Por isso vamos votar para as Assembleias e Executivos dos vários Municípios e Freguesias. Vamos votar em listas partidárias ou em listas ditas “independentes” – estas às vezes são independentes, dado não terem lugar nos seus partidos -, não sendo, porém, um mal que em determinada freguesia ou município apareçam listas de cidadãos, unidos pelo bem-comum, e que não se reconhecem nos vários partidos apresentados.

Não existe qualquer óbice a que as ideias sejam apresentadas, os programas referendados, discutidos e mesmo que venham de outro quadrante achados como bons por outros e até levados depois à prática. A política na cidade é uma troca de ideias, reconheço tantas vezes que algumas listas contêm ideias de 40 anos passados a dirigir, o que se torna maçador e desconexo. Tenho-o dito, e volto a dizê-lo, que não entendo uma “vida política” muito menos nas cidades. Um serviço que se assume e que depois se deixa para outros, com refrescadas ideias, mas não que se toma como “uma vida” e convenhamos que, por exemplo, 40 anos é uma vida que necessita urgentemente de reforma. O princípio de que a experiência conta muito é verdadeiro, mas também o é que assume uma vasta gama de vícios adquiridos. Por isso, a legislação refere três mandatos no mesmo lugar de “primeiro” na lista, trocam-se os lugares e permanece tudo na mesma. Não digo que os “mesmos” não façam trabalhos corajosos, mas todos deveremos pensar que não existem indispensáveis e que sendo a política um serviço, este deve caducar, dando prioridade a outros e outras.

Na política – que afinal é a nossa vida corrente -, o exercício dos poderes, mesmo os de serviço, devem ser limitados e se não o for estaremos a envenenar a vida corrente.

Mas, agora, deixemos esse pormenor – importante -, e vamos às ideias. Porque o compromisso político é feito de ideias e causas. Das listas apresentadas uma é a primeira, as outras se lhe sucederão. Ou seja, uma lista para ser a primeira, precisa da segunda, da terceira e por aí fora, se não, não havia primeira. Quererei dizer que a primeira lista – os vencedores! – precisam sempre dos vencidos, quase como no futebol há um que ganha, porque há outros que perdem, se não ninguém ganhava.

Por analogia, significa que as ideias do segundo e por aí fora, também contaram, e sendo assim devem contar para o programa dos vencedores. Aqui se encontra a grandeza da política, lermos as ideias dos outros, não as subestimar, mas assumi-las e não ter medo de perder. Por isso, antes é uma garantia de humilde devoção à causa pública. Quem subestima os outros, quem corre à humilhação das ideias dos outros, eu pensa que é melhor que um outro só porque a ideia é diferente, não é digno da coisa pública.

Nestas eleições que se aproximam não valem ataques pessoais, não vale tudo, não vale desprezar o outro que me coloca em primeiro, porque é segundo. Elevação e sentido de cidadania, de colher o melhor de todos, deve ser a conduta dos cidadãos e das cidadãs que querem construir a cidade.

Joaquim Armindo
Pós doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

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