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“Violência no Desporto ou Desporto na Violência?”

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Etimologicamente o desporto é caracterizado como a prática regular de uma atividade que requer exercício corporal e que obedece a determinadas regras.

A civilização grega muito cedo percebeu a importância do desporto e da atividade física no desenvolvimento do corpo e da mente. Desde aí o Homem nunca mais abandonou o desporto.

Se podemos afirmar que o desporto evoluiu – seja pelo maior número de atividades desportivas, pela sua complexidade ou, mesmo, pelo seu impacto económico, o Desporto tornou-se um fenómeno cultural com um elevado impacto social – não podemos afirmar o mesmo em relação ao Homem.

Recentemente, o nosso país foi abalado por um caso de violência que me entristece em toda a medida. Desde pequeno que pratico desporto. Partilhei balneários, lágrimas e sorrisos. Derrotas e vitórias. O desporto fez – e ainda faz – parte do meu processo de socialização e desenvolvimento.

O Futebol, ex-líbris económico da atividade desportiva, podia ser o meio ideal para a projeção de valores como o companheirismo, a tolerância e a paz. No entanto, o “Desporto Rei” é a carruagem que transporta de estação em estação a violência, o ódio e a xenofobia.

Bem debaixo dos nossos olhos, nas últimas décadas, o Futebol tem vindo a apodrecer. Só não vê quem não quer ver.
Os dirigentes desportivos inflamam as relações entre clubes com declarações peguilhentas e custeiam as atividades (sejam elas quais forem) das claques.

A comunicação social, alimentada por share e tiragens em série, multiplica a saída de notícias e programas lastimosos que alimentam o vício daqueles que definham sem saber. A classe política está tão próxima do mundo do Futebol que segundo as regras do próprio jogo era assinalada obstrução.

Nós todos! Avós, pais, filhos, cidadãos que muitas vezes toldados pela paixão somos complacentes com tudo o que se está a passar.

O anúncio do Governo para a criação de uma Autoridade Nacional contra a Violência do Desporto não é nada mais que uma forma de esconder a enorme responsabilidade do Estado, da justiça, dos governos, dos partidos neste estado de coisas.

O Governo tem meios para escrutinar o Futebol. O Governo não tem é vontade.

Bruno Bessa

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