Iniciamos o “Verdadeiro ou Falso” do Notícias Maia com a pergunta: A Câmara da Maia testou todos os utentes e funcionários dos lares?

O Caso:
A Câmara Municipal da Maia informou a comunicação social de que tinha terminado de realizar testes de rastreio ao sars-cov-2, o novo coronavírus, “em todas as estruturas residenciais para idosos da rede social e lucrativa, bem como nas estruturas de acolhimento residencial de crianças, jovens e pessoas com deficiência na Maia”.
A avaliação: IMPRECISO

Ordem dos Advogados Maia

Com base na informação prestada pela autarquia, o Notícias Maia fez notícia de que “foram realizados testes a todos os lares da rede solidária e rede lucrativa, bem como a todas as Estruturas de Acolhimento Residencial de crianças, jovens e pessoas com deficiência, perfazendo um total de 36 Instituições e de 1665 testes (945 utentes e 720 funcionários)”.

Esta notícia provocou diversas reações dos leitores, tendo a nossa redação recebido inúmeros comentários e mensagens a indicar de que a informação estava errada.

A informação prestada pela Câmara Municial está errada?

Contactamos duas fontes da Câmara Municipal que nos garantiram que foram testados todos os utentes e funcionários de que a autarquia tem conhecimento. A autarquia garantiu que na eventualidade de alguém não ter sido testado, é porque a entidade correspondente não prestou informação à Câmara Municipal da Maia de que deveria ser testado.

Na resposta oficial da autarquia ao NOTÍCIAS MAIA, foi indicado que “embora a iniciativa tenha partido da Câmara Municipal, como é óbvio, a direção clínica e operacional desta operação que rastreou todo o universo concelhio foi da responsabilidade das autoridades de saúde”.

A autarquia especificou que “foram cobertas por esta operação todas as instituições da rede social de apoio do concelho da Maia, num total de 36 entidades públicas e privadas, conforme se alude no teor da nota de imprensa distribuída”.

Mas os números correspondem à totalidade dos utentes e funcionários? A Câmara da Maia afirma que sim, que “não há quaisquer dúvidas que contemplam quer os utentes residentes nessas 36 instituições, como os funcionários que as mesmas convocaram para serem submetidos aos testes nos dias agendados pelas autoridades de saúde”.

A Câmara testou os utentes e funcionários que as instituições convocaram para serem testados

É um pormenor que marca a imprecisão na informação e que resultou na reação dos leitores. A Câmara da Maia testou efetivamente todos os utentes e funcionários de que teve conhecimento.

O mesmo explica a autarquia: “Como facilmente se compreende, a Câmara Municipal, não pode responder se os funcionários dessas instituições foram, ou não, todos convocados para o teste. Contudo, entende ser muito pouco provável que alguma das instituições não tenha convocado todos os seus colaboradores, posto que os testes foram realizados com data e hora marcada, feitos nas próprias instalações de todas as IPSS’s e eram inteiramente gratuitos para todas as entidades e pessoas e esse foi o princípio universal que regeu esta iniciativa do Município”.

Contactamos quatro instituições que confirmaram a totalidade de utentes e funcionários testados

O Lar Doce Lar confirmou que naquela instituição foram todos testados e que foi enviada uma listagem à Câmara para saberem quem testar. Os exames foram realizados no lar.

A instituição adiantou ainda que depois do primeiro caso positivo de funcionária enviaram e-mail à Delegação de Saúde mas sem resposta. Pediram assim auxílio ao município e logo no dia seguinte a delegação de saúde e proteção civil estavam no lar para fazer os testes, assim como uma vistoria ao lar para compreender se estavam a ser cumpridas as medidas de distanciamento. Os testes foram feitos em dois dias.

No Lar Prof. Dr. Vieira de Carvalho, falamos com o diretor técnico Nuno Magalhães, que garantiu que todos os idosos da residência sénior foram testados, assim como foi enviada uma listagem à Câmara para saberem quem testar. Aqui o contacto foi feito da Câmara para o lar mas já existia vontade em fazer os testes por parte deste. Os exames também foram feitos no lar e os resultados chegaram “poucos dias depois”.

No caso da Estância do Amanhecer, a proprietária, Maria José, garantiu que os 19 utentes e 12 funcionárias foram todas testadas no mesmo dia. A abordagem partiu do lar para a Câmara.

Já no Amanhã da Criança, a diretora técnica garantiu que todos os idosos e os funcionários que estavam em funções foram testados. Os testes ocorreram em duas fases. Na 1ª fase foi a instituição que pediu ajuda à delegação de saúde. Na segunda partiu também da Câmara a vontade de testar o resto.

Na pouca probabilidade de instituições não terem convocado todos os funcionários para o teste, existem, de facto, alguns não testados.

Não bastassem as reações que se fizeram sentir, outra fonte da Câmara Municipal confirmou que existe um número absolutamente residual de pessoas que não foram testadas, por não ter sido comunicado pelas próprias instituições que o deveriam ser.

Conclusão do NOTÍCIAS MAIA:

A informação da Câmara Municipal da Maia garante que a totalidade dos utentes e funcionários foi testado e apesar de ter feito tudo o que podia com a informação que detinha, ignora a possibilidade de que uma pequena percentagem, por opção das instituições, podia não ter realizado o exame, o que aconteceu.

Assim, o conteúdo é IMPRECISO.

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