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“Portugal sem quórum nas Eleições Europeias”

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1. As Eleições Europeias em 2019 foram vencidas de forma absoluta pela abstenção, que dominou com uns impressionantes 68,6%. Um resultado recorde, que se torna ainda mais espantoso se somarmos 4,3% de votos brancos e 2,7% de votos nulos. Feitas as contas, 75,6% dos eleitores escolheu optar por nenhum dos candidatos.

Vale afirmar que em cada 10 portugueses, apenas 3 foram às urnas e em boa parte dos casos, só 2 é que optaram por votar em alguma candidatura. Ou seja, imagine uma mesa de jantar com 10 portugueses em que estão presentes aqueles 3 que insistem em falar sobre política. Destes, o primeiro vota no PS, o segundo no PSD e o terceiro diz que vai votar em branco, nulo ou num partido de protesto. O pedido é realizado igualmente por aqueles 3, que são os únicos a decidir, sendo que 1 insiste em pedir aquela coisa que ninguém gosta na mesa. Ao lado, os restantes 7 fazem a sua refeição tentando ignorar aqueles 3 chatos a discutir essa coisa aborrecida que é a política. No fim, vem a conta. A despesa, essa, é dividida. Uns pagam com cartão, outros a dinheiro e o Estado, por entre uns murmúrios de deseja fatura ou não, fica com a sua percentagem de dois dígitos sobre aquilo tudo.

2. A ensombrada noite eleitoral não coibiu os partidos de comemorarem a vitória, porque, aparentemente, houve mesmo quem vencesse. Mesmo com 75,6% dos portugueses a ignorarem essa coisa das eleições, o Partido Socialista celebrou como se tivesse realizado um feito histórico e o PSD insiste em ignorar aquilo que é uma derrota estrondosa. O PS esteve aproximado do poucochinho de outros tempos e o PSD venceu apenas na Madeira e em Vila Real, quais territórios espartanos no meio do reino socialista. Até no Porto, casa mãe de Rui Rio, só a freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, votou laranja.

Sejamos sérios. Qualquer votação que é decidida por menos de um terço dos possíveis votantes, não faz quórum em lado nenhum.

3. No Parlamento Europeu os partidos moderados, ou chamados de centro, perderam 70 eurodeputados, enquanto os partidos populistas, eurocéticos e extremistas, venceram três dos quatro maiores países da União Europeia. No Reino Unido, o partido do Brexit cilindrou. Em França, Marine Le Pen, de extrema direita, derrotou Macron. Em Itália, Salvini imperou com a sua Liga. Bruxelas vai continuar ao ritmo de Juncker e ignorar estes resultados, ou vai começar finalmente a dar respostas à população?

4. Tecmaia. O caso maiato que é comentado timidamente por aqui e por ali, em boa parte dos casos por quem não sabe, mas ouviu dizer. Hoje, a desinformação impera e quem souber usar os media a seu favor, arrisca-se a vencer na opinião pública. Se o leitor não tem bem certeza do que se passou, espero que a segunda edição do Notícias Maia, disponível nas bancas, o consiga esclarecer.

Boas leituras

Aldo Maia

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